Ato
1 Chamada
Cena externa de uma prisão. Dia. Dentro
Lana fala com um senhor, DEXTER MCCALLUM, no hospital da prisão.
Ele está visivelmente fraco, tem cabelos brancos e um tubo
de oxigênio abaixo de seu nariz.
Lana: Louise McCallum. Ninguém nunca disse
muito sobre ela realmente, apenas que eu tive uma tia-avó
que morreu jovem.
Dexter: Imagino que eles nunca mencionaram que
ela tinha um marido.
Lana: Não. Mas eu não acho que você
possa culpá-los. Você foi acusado do assassinato
dela.
Dexter: Sim.
Lana: Se você estava tão ansioso
para me ver, por que você esperou todos esses anos para
escrever?
Dexter: Sua tia Nell. Ela me pediu para não
fazer isso.
Lana: Eu não quero ser grossa, Sr. McCallum,
mas mesmos se eu acreditasse em sua história, eu não
sei o que você quer que eu faça.
Os olhos de Dexter se enchem de lágrimas
e sua voz se torna trêmula com tristeza.
Dexter: Eu apenas quero que alguém da família
de Louise saiba que eu realmente amei minha esposa, e eu não
sou o homem que a matou.
Vemos um flashback do passado e vemos uma arma
disparar algumas vezes. Não vemos quem está atirando.
Dexter, quando jovem, corre pela porta da frente de uma casa próxima.
Dexter: Louise!
Ele vê outro homem correndo do celeiro.
Dexter corre para o celeiro.
Dexter: Louise!
Enquanto assistimos o flashback, ouvimos a voz
do velho Dexter.
Velho Dexter: Foi há 42 anos atrás,
e eu ainda posso ouvir aqueles tiros.
O jovem Dexter se abaixa no celeiro e pega uma
arma no chão. Ele encara horrorizado o corpo sem vida de
Louise diante dele, o peito dela manchado de sangue.
Dexter: Louise... [Ainda segurando a arma, ele
corre para o lado dela.] Louise! Não!
Ele a puxa para os seus braços e chora.
Um jovem policial, BILLY TATE, entra no celeiro.
Velho Dexter: O Xerife Tate chegou.
Tate: Dex! Louise! Vocês estão aqui?
Tate pára em choque quando ele vê
Dexter. Vemos o rosto de Louise. Ela é idêntica a
Lana.
Velho Dexter: Ele me encontrou com a arma e Louise
morta em meus braços.
Tate: Dex... O que você fez?
Dexter balança a cabeça em descrença
e segura Louise mais forte.
Velho Dexter: Eu juro a você. Foi o que
aconteceu aquela noite.
Volta ao presente, Dexter conversando com Lana
no hospital da prisão.
Dexter: Quando eu vi sua foto no jornal, não
pude esquecer como você se parecia com Louise.
Lana dá uma olhada num velho jornal amarelado
em seu colo. A manchete diz “Beldade Local Assassinada,
Uma Comunidade Chocada pelo Assassinato da Esposa Amada de um
Fazendeiro.” Tem uma foto de Louise que novamente se parece
exatamente igual a Lana.
Dexter: Pensei que se você fosse de qualquer
forma igual a ela, você seria a única que poderia
entender.
Lana: [Quieta, balançada.] Se você
está dizendo que não a matou, então quem
fez isso?
Dexter: O homem que eu vi saindo do celeiro, um
errante. Ele matou minha Louise.
Lana vira o jornal para ver no fim do artigo.
Lá ela encontra um retrato falado da polícia do
errante. É igual a Clark Kent.
[Créditos de abertura]
Ato 1 Cena 1
Cena externa do rancho dos Kent. Dia. No sótão,
Clark está olhando para a figura do errante enquanto ele
conversa com Lana. Ele está de costas para ela.
Clark: O que aconteceu a esse cara, esse errante?
Lana: Eles nunca o pegaram. Dexter disse que as
pessoas supuseram que ele inventou toda a história de modo
que ele pudesse cobrir seus rastros.
Clark: [Virando para encará-la.] Mas você
acreditou nele.
Lana: Bem, por que ele mentiria para mim? Não
é como se ele fosse ter os 40 anos da vida dele de volta.
Clark: [Cético.] Lana, assassinos convictos
passam metade do dia deles tentando convencer as pessoas que eles
são inocentes.
Lana: [Se aproximando de Clark.] Clark, aquele
desenho é igualzinho a você. Então, a menos
que Dexter pudesse prever o futuro, existe—existe uma chance
muito boa que aquele errante fosse real. [Pausa.] Poderia ser
seu avô. Até mesmo seu pai.
Clark: [Se afastando de Lana, triste.] É
impossível.
Lana: Por quê? Você deve ter vindo
de algum lugar. Não é como você tivesse simplesmente
caído do céu.
Clark recua. Ele dá uma outra olhada no
jornal e percebe um medalhão em torno do pescoço
do errante. Ele tem um símbolo Kryptoniano.
Ato 1 Cena 2
Clark e Jonathan entram nas cavernas, procurando
as paredes com lanternas. Dia.
Clark: Acho que Lana está certa. É
Jor-El.
Jonathan: De 1961?
Clark: Essas paredes dizem que as pessoas de Krypton
estiveram aqui antes. Por que não meu pai?
Jonathan: Clark, filho, você não
acha que está apenas tentando um pouco mais fundo fazer
uma ligação aqui?
Clark: Você viu o medalhão que ele
estava usando. O símbolo Kryptoniano.
Jonathan: OK. Vamos dizer que era Jor-El, e de
tudo que eu sei sobre ele, não seria ir longe demais acreditar
que ele poderia matar alguém.
Clark: Essa é a questão, não
sabemos muito sobre ele. Até agora, tudo que Jor-El tem
sido para mim é um amigo poderoso distante, mas se ele
esteve aqui, andando nas mesmas ruas que eu, talvez não
sejamos tão diferentes. Talvez ele seja mais humano do
que nós pensamos.
Jonathan: Clark--
Jonathan nota alguma coisa na parede atrás
de Clark.
Jonathan: Clark.
Clark se vira e vê uma grande pintura do
símbolo do medalhão do errante na parede.
Jonathan: Não é aquilo que você
está procurando?
Jonathan sobe em uma saliência perto da
pintura e a toca suavemente.
Clark: Eu sabia que já tinha visto isso
aqui.
Clark toca a pintura e o símbolo de repente
roda. Então a figura se abre revelando um buraco na parede.
Clark e Jonathan se olham e então Clark coloca sua mão
dentro. Uma luz dourada sai do buraco e Clark é inundado
com uma série de imagens que voam tão rápido
para se compreender.
Ele vê os lábios de uma mulher, um
anel com um T maiúsculo, o errante e Louise se beijando,
o medalhão Kryptoniano no pescoço do errante, um
homem atacando outro homem do lado de fora do celeiro, o letreiro
do Talon mostrando o nome de Natalie Wood, um disparo.
Clark de repente volta ao presente e puxa sua
mão do buraco da parede da caverna, de alguma forma chocado.
Jonathan: Clark. Clark!
Clark abre a mão e está segurando
o medalhão de prata da gravura.
Jonathan: O que é isto?
Clark não responde, mas olha de Jonathan
para a parede da caverna.
Ato 1 Cena 3
Clark e Pete caminham na calçada do outro
lado da rua do Talon. Dia.
Clark: As imagens que eu vi devem ser do passado.
Pete: Clark, você realmente precisa deixar
de ver televisão até tarde da noite.
Clark: Não estou brincando, Pete. Eu tive
todos esses flashes, mas eles vieram tão rápido
que eu realmente não pude entendê-los.
Três jovens rapazes passam por Pete e Clark,
passando entre eles.
Rapaz: Desculpe.
Clark sai do caminho e coloca o braço em
uma caixa de correio. Há uma luz branca e Clark está
de repente de volta a 1961. Suas roupas e o cabelo liso refletem
o estilo da época e há carros antigos nas ruas assim
como música antiga tocando ao fundo.
Clark, como o errante, caminha ao longo da calçada
devagar, olhando ao redor. Ele olha para o outro lado da rua para
o Talon onde o letreiro diz “Esplendor na Grama, Natalie
Wood.” Lana, como Louise, sai do Talon lendo uma revista.
O cabelo e as roupas dela também refletem o estilo antigo.
Um homem corre até ela, apontando uma arma
e gesticulando para a bolsa dela.
Homem: Me dê!
Louise: Fique longe de mim!
O homem empurra Lana para o chão.
Homem: Me dê o dinheiro! Eu sei que você
tem! Me dê!
Eles lutam pela bolsa enquanto o errante assiste
tudo acontecer. Ele corre em alta velocidade para o outro lado
da rua e agarra o assaltante, jogando-o contra um poste no momento
em que um policial para o carro. O errante ajuda Louise a se levantar.
O Xerife Billy Tate sai do carro e agarra o assaltante.
Louise: [Para o errante, encantada.] Meu herói.
Errante: Você não me beija como alguém
que geralmente precisa de salvamento.
Lana: Obrigada.
Ele pega a revista que Louise derrubou e a entrega.
Assaltante: [Para Tate.] Você viu aquilo?
Ele poderia ter me matado.
Tate: [Empurrando o ladrão para o carro.]
Diga isso para o juiz.
Louise: [Para o errante.] Obrigada. Sou Louise.
Errante: Você pode me chamar de Joe.
Louise: Bem, Joe, Você é o que de
mais excitante nós tivemos em todos os anos.
Tate: [Para o ladrão, empurrando-o para
dentro do carro.] Cuidado com a cabeça.
Quando o ladrão está dentro do carro,
Tate fecha a porta e vem até Joe e Louise.
Tate: [Para Joe.] Bem, acho que devemos a você
nossa gratidão. Oi, sou o Xerife Billy Tate. Bons reflexos
você tem.
Eles se cumprimentam.
Joe: Ele me surpreendeu de certa forma, também.
Tate: Nunca o vi por aqui em Smallville antes.
Joe: Estou apenas de passagem no meu caminho para
casa.
Louise: Sorte sua.
Tate: [Gentil.] Perdoe Louise. Ela tem estrela
nos olhos. Sempre teve.
Joe: Não há nada de errado nisso.
Joe e Louise dividem outro momento de silêncio
quando Dexter chega e salta do carro.
Dexter: Louise?
Louise se vira para Dexter, chateada.
Dexter: Tudo bem?
Tate: Vá para casa, Louise. Sei como Dex
odeia perder seu jogo de bridge. Eu passarei lá e pegarei
seu depoimento.
Louise: [Para Joe.] Vejo você por aí.
Joe observa Louise enquanto ela vagarosamente
caminha para o carro. Ela se vira uma vez para olhar para ele
e então entra. Uma vez dentro do carro, ela continua a
olhar para ele até que Dexter dá a partida.
Tate: Eu apreciei sua ajuda.
De repente voltamos ao presente onde Clark ainda
está com o braço sobre a caixa de correio.
Pete: Clark, o que está acontecendo?
Clark: É como se eu estivesse de volta
aos anos 50. Eu estava em pé exatamente aqui onde Joe estava.
Pete: Joe?
Clark: É o nome verdadeiro do errante.
Pete, você se lembra quando eu estava na caverna e vi todas
aquelas lembranças? [Clark tira o medalhão do bolso.]
Acho que esse medalhão me deu todas as memórias
dele. Quando eu toco algo delas, ele dispara uma.
Pete: [Cético.] Certo.
Clark: Louise estava aqui também. O errante,
ele a salvou.
Pete: Bem, é claro que ele salvou! Clark,
de volta ao século 21, nós chamamos isso de sonhar
acordado.
Clark: Tem que haver um jeito de descobrir se
o que eu vi realmente aconteceu.
Ato 1 Cena 4
Cena externa da Smallville High School. Dia. Dentro
Clark sopra a poeira de cima de um velho livro enquanto ele caminha
pelo corredor. Chloe está com ele.
Clark: Desde quando você pode tirar os arquivos
da polícia da Prefeitura?
Chloe: Desde que eu peguei o balconista e a namorada
brincando de policia e ladrão em horário de trabalho.
Os dois sorriem.
Clark: [Abrindo o livro.] Bem, o roubo deve ter
sido por volta de junho de 1961. Foi quando o filme estava passando
no Talon.
Chloe: OK, eu não tenho a intenção
de te interrogar até você falar, mas como você
sabe todas essas--
Clark: Chloe, eu te disse que foi apenas um palpite
que o errante estava lá.
Chloe: Certo, eu entendi.
Eles entram no escritório da Tocha.
Chloe: Mas é que o assalto na frente do
Talon com o filme da Natalie Wood em cartaz é um pouco
mais detalhado que a média dos seus palpites.
Clark: Bem, como criadora do Mural do Esquisito,
apenas fique comigo nessa.
Clark senta-se à mesa.
Chloe: OK.
Clark: Tem algumas páginas faltando, todas
do dia do assassinato de Louise.
Chloe: Alguém tirou D em sutileza.
Clark: [Virando a página.] Aqui, o assalto.
Chloe: Você vê nosso herói
errante em algum lugar?
Clark: Não, mas veja o nome do assaltante.
Chloe: [Lendo.] Lachlan Luthor. É—É
o avô do Lex.
Clark olha para Chloe desconfiado.
Chloe: Oh, vamos lá, eu tinha um arquivo
de 3 megabytes sobre Lex. Eu sei o cereal favorito dele. Talvez
ele saiba alguma coisa.
Clark: Bem, você vai ter que descobrir.
Eu tenho que encontrar Lana. Nell encontrou algumas coisas de
Louise no sótão.
Chloe: Espere, Clark, aqui é onde eu vou
ficar segura. A última vez que eu investiguei os Luthors,
Lex quase foi assassinado.
Clark: Por favor. Você vai ter que lidar
com ele mais cedo ou mais tarde.
Clark sai do escritório da Tocha.
Ato 1 Cena 5
Cena externa da mansão de Lex. Dia. Lex
conversa com Chloe na parte de cima do estúdio. Ele está
folheando um livro.
Lex: Eu sempre pensei que o talento do meu pai
em tirar dinheiro das pessoas foi herdado, mas... eu nunca pensei
que pequenos crimes ocorressem na família.
Ele coloca o livro de volta na prateleira.
Chloe: Bem, Smallville não estava exatamente
cheio de Lachlan Luthors. Seu avô deve ser o único
que foi preso.
Lex: Chloe. Ninguém em minha família
pisou os pés nessa cidade até que meu pai comprou
aquela fábrica de creme de milho. Um criminoso idoso não
está um pouco fora da sua investigação adolescente
usual?
Chloe: Bem, essa é por uma boa causa. Lana
está realmente preocupada com a tia-avó dela.
Lex: Alguma coisa me diz que você não
está aqui por causa da Lana.
Chloe: [Mudando de assunto.] De qualquer modo,
nós achamos que Lachlan encontrou o errante, e nós
esperávamos que--
Lex: O quê, que minha família sentasse
à mesa na festa de Ação de Graças
e repartisse histórias de crimes antigos?
Lex senta-se.
Chloe: Sua família não é
exatamente uma pintura de Norman Rockwell. Olhe Lex, nós
apenas estamos tentando achar o que pudermos.
Lex: Eu queria poder ajudar mais Chloe, mas temo
que você tenha chegado ao fim da linha.
Chloe olha para Lex, frustrada.
Ato 1 Cena 6
Clark entra no sótão. Noite. Lana
está esperando por ele.
Lana: Hei.
Clark: Oi, Lana. Olhe, Eu realmente sinto muito
por ter sido tão defensivo esta manhã.
Lana: Você não tem que se desculpar.
Eu praticamente despejei tudo sobre você de uma vez.
Clark: Acho que quando você é adotado,
você sonha com o lugar de onde você veio e como eram
seus pais biológicos. O maior pesadelo é que eles
eram criminosos.
Lana: Com todas as surpresas estranhas que eu
tive em minha família, eu sei que não é fácil.
[Pausa.] Existem somente algumas coisas de Louise. Mas eu acho
que nós conseguiremos encontrar alguma coisa.
Lana senta no sofá onde tem uma pequena
caixa esperando. Ela abre a caixa e eles começam a olhar.
Por cima tem algumas fotos que Clark pega e olha. Lana pega um
pedaço de papel, lê e sorri.
Lana: É uma carta de amor. Dexter deve
ter escrito isso. Uau. Quem diria que ele poderia ser tão,
um...
Clark: [Lendo a carta sobre os ombros dela.] Ardente?
No fim da carta tem um J em letra cursiva.
Lana: Somente uma inicial?
Lana coloca a carta de volta na caixa apreensiva
e eles continuam a olhar os outros itens. Lana tira um colar de
pérolas, sorrindo.
Lana: Você poderia?
Clark sorri enquanto Lana vira as costas para
ele e levanta o cabelo para ele poder prender o colar no pescoço
dela. Assim que Clark toca o colar, ele é jogado de volta
ao passado.
Joe está atrás de Louise no celeiro.
Dia. As mãos dele estão nos ombros dela e ele se
inclina para beijar seu pescoço. Louise se vira para encará-lo,
então caminha através do celeiro, puxando Joe pela
mão.
Louise: Eu não consegui parar de pensar
em você o dia inteiro.
Joe pára Louise e a puxa para ele, beijando-a
ardentemente.
Joe: Eu nunca me senti assim com ninguém.
Tudo o que sei é que quero estar com você.
Eles compartilham outro beijo intenso. Quando
eles terminam, Louise começa a andar novamente, indo até
uma pilha de feno perto da parede. Joe vai até ela, virando-a
e inclinando-a contra uma viga de madeira. Eles se beijam loucamente,
respirando pesadamente enquanto Louise desabotoa a camisa de Joe
e a tira pelos ombros. Beijando o pescoço dela, Joe desabotoa
a blusa de Louise e ela a despe.
Louise puxa a camiseta de Joe e enquanto ele a
tira, eles caem sobre um cobertor no feno, Louise deitada por
cima de Joe beijando-o ofegante. Quando o beijo termina, Joe a
vira gentilmente de modo que ele fique por cima dela. O medalhão
de prata dele pendurado no pescoço, brilha na luz do sol
que se infiltra pelas janelas do celeiro. Ele se inclina para
beijar Louise novamente, passando o braço por trás
das costas dela enquanto ela toca a cabeça dele, passando
a mão pelo seu cabelo, e então até suas costas.
Eles fazem mais um contato olho a olho e então
Clark volta para o presente.
Lana: Clark?
Clark se levanta e anda para longe do sofá.
Clark: Lana, eu não acho que aquela carta
de amor é do marido dela. Eu acho que é do errante.
Eles eram amantes.
Lana olha para Clark confusa.
A tela escurece.
Ato 2 Cena 1
Cena externa da LuthorCorp. Dia. Dentro, Lionel
e Lex entram no escritório de Lionel.
Lionel: Parabéns, Lex. Foi uma excelente
apresentação. O conselho ficou impressionado. Foi
um jogo de fumaça e espelhos, mas, um, habilmente feito.
Lionel pega uma garrafa de champanhe que estava
esfriando na mesa.
Lex: O que posso dizer? Acho que, uh, o espírito
da decepção corre na família.
Lionel: [Sorri.] E o dia acabou num doce começo.
[Estoura a champanhe abre e coloca em uma taça.] Um, decepção,
huh? Você acha que estou mentindo para você sobre
alguma coisa?
Lionel estende a taça para Lex.
Lex: Você me diz. Você sempre descreveu
Vovô Lachlan como um trabalhador capitalista que veio da
nobreza Escocesa.
Lionel: Em que você está trabalhando,
filho?
Lex: Talvez você possa explicar porque Lachlan
Luthor foi preso em 1961 por um pequeno furto em Smallville.
Lionel: Nem todos empreendedores podem ter o luxo
de serem bem sucedidos e honestos ao mesmo tempo.
Lex: Por que você iria tão longe
para esconder nosso passado?
Lionel: Quando eu era, uh, jovem e tentava arduamente
conseguir entrar no time dos universitários, rapidamente
eu percebi que confessar o fato que eu nasci e fui criado num
lugar como Suicide Slum não iria impressionar ninguém
num coquetel.
Lionel senta no sofá.
Lex: Então você tomou a liberdade
de reescrever a história da nossa família?
Lionel: Exatamente. Por que eu deveria pagar pelos
pecados do meu pai?
Lex: [Sério.] Me parece familiar. O, uh,
memorial da nossa família é verdadeiro ou eu tenho
avós vagando pela Suicide Slum?
Lionel: [Vagarosamente, perturbado.] Não,
não, eles... eles morreram em um incêndio no abrigo.
[Pausa.] A única razão pela qual estou vivo é
porque eu estava fazendo serão em uma – em uma gráfica
quando tudo aconteceu. Desde então eu, um, me enterrei
no trabalho. Conscientemente.
Lionel sorri por trás de sua tristeza enquanto
Lex o olha desconfiado
Ato 2 Cena 2
Clark e Lana entram em um celeiro. Dia.
Clark: Este é o celeiro onde Louise foi
atingida.
Clark caminha todo o celeiro tocando coisas e
não conseguindo nenhuma reação.
Lana: Clark, já se passaram 40 anos. O
que você espera encontrar aqui?
Clark nota uma objeto grande coberto por uma lona.
Caminhando até ele, ele puxa a lona revelando um velho
carro azul empoeirado. Ele põe as mãos sobre a capota
e é instantaneamente transportado para o passado.
Joe está com a mão pousada no carro,
agora muito mais azul e brilhante. Louise está inclinada
contra o carro, ela e Joe se beijam no celeiro. Noite. O beijo
termina quando Louise alcança os botões da blusa.
Joe: Eu tenho que partir esta noite.
Louise: Estarei partindo com você
Joe: Louise, eu te disse que não é
possível.
Louise: Não posso mais ficar com Dex, eu
não o amo. É com você que eu quero ficar.
Joe: De onde eu venho nós não seríamos
aceitos.
Louise: Eu não ligo para o que as pessoas
pensam. Eu nunca liguei. [Sorri.] Dex diz que esta é minha
maldição.
Joe se aproxima de Louise e toca seu rosto.
Joe: Não, Louise. É uma dádiva.
Louise: Nós não somos tão
diferentes, Joe. Eu quero tentar.
Joe dá um passo além dela.
Joe: Isso não era para acontecer. Eu tenho
que voltar para casa sozinho.
Louise: Por quê?
Joe: [Virando para encarar Louise.] Porque é
o meu destino. Eu não posso mudá-lo.
Joe caminha até Louise e segura seu rosto,
desesperado.
Joe: Louise, por mais que eu queira isso, eu não
posso ter.
Os olhos de Louis se enchem de água.
Joe: Meu pai me disse que um dia eu entenderia
que minhas ações teriam conseqüências.
Acho que é isso o que ele quis dizer.
Louise toca o medalhão em torno do pescoço
de Joe.
Louise: [Sussurra.] Isto não é justo.
Nós deveríamos ficar juntos.
Joe segura Louise nos braços, segurando-a
bem junto de si. Lachlan Luthor entra no celeiro segurando uma
arma, e Joe o vê.
Joe: Louise.
Joe empurra Louise para fora do caminho assim
que Lachlan dispara uma bala atrás da outra em Joe. As
balas atingem o peito de Joe, mas não têm efeito.
Lachlan e Louise olham chocados. Então Lachlan derruba
a ama e corre para fora do celeiro. Louise vagarosamente olha
para baixo e vê sangue escorrendo pela sua blusa branca
de uma bala que a feriu no peito.
Louise: [Sussurra.] Joe...
Joe se vira para Louise e a ampara no momento
em que as pernas dela fraquejam. Ele a ajuda gentilmente a se
deitar no chão.
Joe: Não. Louise? Não me deixe.
Louise: [Fraca.] Eu nunca te deixarei. Eu te amo.
Os olhos de Louise se fecham. Ela morre.
Joe: Louise... Não. Não, Louise.
Lágrimas caem dos olhos de Joe e ele puxa
Louise para dentro de seus braços.
Joe: Louise...
Volta ao presente. Clark está tocando o
rosto de Lana.
Lana: [Nervosa.] Clark?
Clark acorda.
Clark: Eu sei quem a matou.
Ato 2 Cena 3
Lex caminha pelo corredor de sua mansão
conversando com um detetive aposentado, MASON. Dia. Ele entrega
a Mason um arquivo.
Lex: Os Condomínios Edgecliff. São
propriedade da LuthorCorp, mas eu não entendi a relação
com os meus avós.
Eles entram no estúdio e ficam ao lado
do piano.
Mason: Bem, antes dos condomínios e das
cafeterias, este era a pior parte da Suicide Slum. Esta construção...
fica no lugar no terreno do abrigo onde seus avós morreram.
Lex olha as fotos do prédio alto ao qual
Mason está se referindo.
Lex: Então a história do meu pai
é verdadeira. Eles morreram em um incêndio.
Mason: [Sorri.] É, se você chama
uma explosão que quebra as janelas de dois quarteirões
da cidade de incêndio, sim.
Lex: Me parece que você tem suas dúvidas.
Mason: Eu era detetive naquela área. Naquele
tempo, quando eles diziam para você desistir de um caso
você desistia. Os donos da favela controlavam a Prefeitura.
Bem, estou aposentado agora. Isso realmente não importa.
Mason coloca um envelope sobre o piano.
Mason: Eu acho que você vai achar meus originais
bem esclarecedores.
Lex tira os papéis do envelope e dá
uma lida neles. Então ele dá uma longa olhada em
Mason.
Ato 2 Cena 4
Clark anda pelo corredor da Smallville High School
conversando com Chloe e Lana. Dia.
Chloe: Eu não quero jogar água na
sua teoria Clark, mas Lachlan Luthor estava na prisão na
hora do assassinato.
Clark: Eu sei que foi ele.
Lana: Como? Você não pode esperar
que nós continuemos a seguir essas pistas estranhas sem
nos dizer o que está acontecendo.
Clark pára do lado de fora do escritório
da Tocha.
Clark: É loucura.
Chloe: Você passou a linha da loucura por
volta de duas pistas atrás.
Clark: Desde que eu li aquele artigo de jornal
eu estou tendo memórias de 1961.
Lana e Chloe trocam um olhar perplexo. Clark abre
os braços como se dissesse "eu avisei" e entra
no escritório. Lana e Chloe o seguem.
Lana: O quê?
Clark: É como se fosse uma espécie
de deja vu.
Chloe: Bem, poderia ser como uma reencarnação?
Sabe, como vidas passadas?
Lana: [Cética.] Chloe.
Chloe: Ou, uh, memória genética.
A ciência tem a teoria que nós possuímos memórias
de nossos ancestrais em nosso DNA.
Clark parece considerar isso.
Chloe: De todo modo…
Chloe olha para a tela do computador
Chloe: Bem seja lá de onde vem suas pistas,
elas são misteriosamente acuradas. Vejam isso. Eu pedi
pro Ledger me mandar um e-mail do boletim policial do dia que
estava faltando no diário.
Clark: [Olhando para a tela.] Lachlan foi solto
da cadeia na manhã em que Louise foi assassinada.
Lana: Ele só passou algumas noites preso
por assalto à mão armada?
Chloe: [Indo até o armário de arquivos
e tirando uma pasta.] É, e olhem o nome do delegado que
soltou ele.
Clark: Billy Tate.
Chloe: Carinhosamente conhecido como nosso honorável
prefeito William Tate.
Chloe tira uma foto do prefeito Tate do arquivo
e entrega a Clark.
Ato 2 Cena 5
Lana segura um porta retrato com a foto de Louise,
Dexter, e Billy Tate no dia do casamento de Louise e Dexter. Dia.
Ela e Clark conversando com o prefeito Tate em seu gabinete.
Tate: Dex e Louise foram meus melhores amigos.
Prendê-lo foi a coisa mais difícil que eu já
fiz. [Para Lana.] É impressionante como você lembra
sua tia-avó. Alguém já te disse isso?
Lana olha para Tate assustada.
Clark: Prefeito Tate, o senhor se lembra de ter
fichado alguém chamado Lachlan Luthor? Ele foi solto no
mesmo dia que Louise foi morta.
Tate: É difícil manter os traços
de todas as prisões que eu já fiz.
Lana: Achamos que seu amigo Dexter é inocente.
Tate pausa, então ri discretamente.
Tate: Confie em mim, de todas as pessoas foi eu
quem quis acreditar nisso mais do que ninguém. Mas, finalmente,
eu tive que admitir que não havia errante. Ele criou a
história para cobrir a própria culpa.
Clark olha em volta do escritório, notando
uma prateleira com a insígnia policial de Tate em exibição.
Clark toca a insígnia. Numa prateleira abaixo ele vê
um certificado emoldurado declarando Tate prefeito de Smallville.
No fim do certificado está a assinatura de Tate. O T cursivo
em seu último nome é idêntico ao que parecia
ser um J cursivo que Lana achou na carta de amor para Louise.
Clark toca o certificado.
Tate: Cuidado com isso, rapazinho.
Tate coloca a mão no ombro de Clark e Clark
volta ao passado.
Joe e Louise estão em um carro estacionado
ao lado de um milharal e Billy Tate está na janela, tocando
o ombro de Joe. Joe se vira.
Tate: Hei, você dois pombinhos.
Louise: Billy, não é o que parece.
Foi apenas--
Tate: Claro. [Para Joe.] OK, manda-chuva, saia
do carro.
Joe sai do carro.
Joe: Eu não sei qual é o seu negócio,
mas--
Tate: [Agarrando Joe pela camisa, ameaçando.]
Acho que você abusou das boas-vindas. É melhor você
sumir antes que você cause mais encrenca.
Louise sai do carro e empurra Tate para longe
de Joe.
Louise: Billy, ele estava apenas me levando para
casa.
Tate: É melhor você ter certeza que
é isso o que você quer, Louise. Porque eu acho que
você está cometendo um grande erro.
Tate entra no carro e sai. Louise se vira para
Joe.
Louise: Eu nunca quis me casar com Dexter. Não
me leve a mal, ele – ele é um bom homem, ele é
simplesmente... seguro. Eu cometi o erro de dizer a meu pai os
meus sonhos. Eu quero ir para Hollywood, me tornar uma estrela.
Quando eu percebi, ele já estava me colocando com o Dex,
dizendo que grande esposa eu seria. [Se vira para longe de Joe.]
Finalmente eu cedi. E aqui estou.
Joe: Acho que nossos pais se dariam bem. [Se inclina
contra o carro.] Entenda, eu não sou o que você chamaria
de o filho modelo. Meu pai me mandou para cá como uma espécie
de lição. Eu não queria vir. Agora eu daria
qualquer coisa para ficar. Mas eu não posso.
Louise vai até ele.
Louise: Então me leve com você.
Ela puxa-o do carro pelas mãos e o roda
algumas vezes fantasiosamente.
Louise: [Rindo nervosamente.] Seríamos
como James Dean e Natalie Wood em "Rebelde Sem Causa."
Será romântico.
Joe: Acho que você não entendeu.
Quando eu disse que eu não era daqui, eu não estava
falando de Smallville.
Louise olha para Joe estática, sem entender.
Joe: [Sombrio.] De onde eu venho nós temos
cores que você nunca viu. Nossas luas são tão
próximas que preenchem metade do céu. Nós
tempos pores-do-sol que duram horas.
Louise olha para ele muito seriamente por um momento,
então sorri.
Louise: Você quase me pegou. Por um segundo
eu estava realmente acreditando em você.
Joe se aproxima devagar e levanta Louise nos braços.
Eles mantêm contato visual e podemos ver o céu baixando
atrás deles enquanto a lua azul ilumina o rosto deles.
Finalmente Louise olha para baixo e percebe que
eles estão flutuando sobre a terra.
Louise: Oh, meu Deus.
Os dois olham para as estrelas enquanto continuam
a subir e o medo de Louise se torna um sorriso de prazer. Ela
olha para Joe que ainda está olhando para ela com amor
nos olhos.
A tela escurece.
Ato 3 Cena 1
Lana e Clark falam com a Xerife Adams enquanto
caminham pela calçada. Dia. Adams está segurando
um pedaço de papel.
Adams: Então você quer que eu reabra
uma investigação que foi arquivada há 40
anos atrás?
Clark: O prefeito sabe mais do que está
falando.
Adams: Oh, sim, aquele misterioso errante de vocês.
Clark: Achamos que o Prefeito Tate fez um acordo
de retirar as acusações de Lachlan Luthor se ele
matasse o errante. Eles iriam colocar toda a culpa em Dexter.
Adams: Bem você daria um grande contador
de histórias, Sr. Kent, mas não um bom detetive.
[Ela devolve o papel a Clark.] Veja bem, eu precisaria de duas
pequenas coisas chamadas motivo e evidência antes que eu
leve o líder da nossa comunidade para prisão.
Clark tira a carta de amor de Louise do bolso.
Clark: Veja. A caligrafia no certificado da polícia
combina com esta carta de amor. É a mesma assinatura.
Lana: Ele também estava apaixonado por
ela. Com o errante fora do caminho e Dexter preso por seu assassinato,
o Prefeito Tate poderia tê-la para si próprio.
Adams: Eu não sei se vocês crianças
podem se ouvir, mas vocês deveriam ser mais cuidadosos sobre
quem vocês estão acusando. Se vocês me permitirem
eu tenho alguns casos deste século para atender.
Xerife Adams entra em seu carro.
Ato 3 Cena 2
Jonathan tira algumas jarras de pêssego
de um caldeirão fervendo de água no fogão
e os carrega até a mesa da cozinha onde Martha está
enchendo mais jarras. Dia.
Jonathan: Martha, nós não podemos
nem dizer se essas visões são reais. Quero dizer,
pelo que sabemos, elas podem ser apenas um outro teste de Jor-El.
Martha: Jonathan, quando foi que você viu
Clark tão determinado sem razão? Sei que é
difícil, mas nós não podemos culpá-lo
por querer saber mais sobre seus pais biológicos.
Jonathan: Todas as vezes que ouço o nome
Jor-El, tudo o que posso pensar é que não somos
seus verdadeiros pais. Somos apenas as pessoas que tiveram a sorte
de encontrá-lo, e isso é tudo.
Martha: Mas no momento ele está aqui conosco.
Jonathan: É.
Clark entra.
Martha: Clark. Você teve mais alguma visão?
Clark olha de Jonathan para Martha incerto.
Clark: Não.
Jonathan: Ouça, filho, eu, uh, eu sinto
muito ter duvidado de você. Se você quiser, nós
podemos ir até o celeiro de McCallum, ver se você
esqueceu alguma coisa.
Clark olha sobre o ombro de Jonathan e nota alguma
coisa na parede.
Martha: O que é?
Eles vêm um rifle pendurado na parede.
Clark: É a arma do vovô. Eu a vi
na caverna quando eu tive minha primeira visão.
Jonathan tira a arma da parede e entrega a Clark.
Ele a toca e tem outra visão.
Joe está inclinado sobre um barril do lado
de fora de uma fazenda. Um homem caminha até ele e o atinge
do lado com o cabo da arma e então no rosto. Joe agarra
o rifle e o tira das mãos do homem, empurrando-o para o
chão. Joe aponta o rifle para o homem.
Joe: Eu não quero nenhum problema. Estou
apenas cortando caminho pelo seu campo.
Homem: Calma aí, filho. Você já
tem um assassinato nas costas se você é aquele que
a cidade inteira está procurando.
Joe: Eu não fiz aquilo. [Joga a arma de
volta para o homem.] Eu não sou um assassino. Eu a amava.
Eu jamais a machucaria. Você tem que acreditar em mim.
O homem se levanta devagar e estende a mão
para cumprimentá-lo.
Homem: Sou Hirum. Hirum Kent.
Joe pega a mão de Hirum. De volta ao presente
onde Clark ainda está tocando o rifle.
Jonathan: O que é?
Clark: O errante esteve aqui. Ele esteve aqui
na fazenda com o vovô Kent.
Jonathan olha rapidamente para Martha que parece
confusa.
CORTA PARA Jonathan colocando no chão do
sótão um baú. Clark e Martha estão
lá.
Jonathan: Eu não abro isso... desde o dia
que meu pai morreu.
Martha: Talvez alguma coisa daqui trará
outra memória.
Jonathan abre o baú. Ele coloca a mão
e retira um cinto com uma grande fivela.
Jonathan: Clark, seu avô usou esta coisa
velha todos os dias da sua vida.
Jonathan ri discretamente enquanto Clark pega
o cinto.
Jonathan: Era seu cinto favorito.
Martha: [Para Clark.] Queria que você o
tivesse conhecido. Reconhece alguma coisa das suas visões?
Clark vê uma jaqueta de couro marrom e a
pega. Ela o manda de volta ao passado onde Hirum está ajudando
Joe a vestir um casaco na cozinha. Noite. A Sra. Kent entrega
a Joe sua própria jaqueta que é a de couro marrom.
Sra. Kent: Pelo menos você não vai
ficar na rua muito tempo se eles pararem você.
Hirum: Eu sei todas as estradas escondidas. Nós
as pegaremos.
Joe: Eu aprecio a sua ajuda, mas eu encontrarei
o meu caminho sozinho.
Hirum: Eu não vou te mandar lá para
fora sozinho. Tem certeza que os seus amigos vão aparecer?
Joe: Eles estarão lá.
Joe passa por Hirum e abre a porta da cozinha.
Hirum: Você é bem-vindo para ficar
e tentar esclarecer tudo.
Joe: Eu não tenho mais motivo para ficar.
Sra. Kent: Tenha cuidado.
Hirum: [Colocando uma mão sobre a barriga
da Sra. Kent.] Tchau, Gene.
Vemos que a Sra. Kent está grávida
e Hirum está falando com seu filho.
Sra. Kent: O nome dele é Jonathan.
Hirum: [Para Joe.] Nós ainda estamos decidindo.
Hirum beija a Sra. Kent no rosto, então
toca Joe no ombro.
Hirum: Vamos, vamos lá. [Sai.]
Joe: [Para a Sra. Kent.] Obrigada.
A Sra. Kent acena e Joe a entrega sua jaqueta
de couro. De volta ao presente.
Clark: Vovô o ajudou a escapar.
Jonathan: Agora, veja, eu-eu gostaria de acreditar
em você, Clark mas--
Clark: Ele queria te chamar de Gene.
Jonathan olha para Martha, chocado.
Jonathan: [Quieto.] Por causa de Gene Autry. Nós
tínhamos todos os seus discos, mas... finalmente mamãe
ganhou.
Martha: Hirum era um ótimo julgador de
caráter, Jonathan. Não acho que ele ajudaria um
homem culpado.
Jonathan: Bem, não acho que uma jaqueta
velha de bombardeiro vá provar alguma coisa.
Clark: Eu não tenho tanta certeza disso.
Clark olha da jaqueta para Jonathan como se uma
idéia estivesse se formando em sua cabeça.
Ato 3 Cena 3
O Prefeito Tate está em sua casa, sentado
diante de uma lareira enquanto lê um livro e toma um gole
de um copo de brandy. Noite. Uma bola de fogo de repente voa através
da sala para dentro da lareira, acendendo o fogo. Tate se levanta
do seu assento e olha para o fogo, confuso.
O vento começa a soprar pela sala fazendo
com que os papéis sobre a mesa dele farfalhem. Ficando
mais assustado, Tate vai até o interruptor na parede e
o toca para cima e para baixo, chamando a polícia. De repente,
um homem entra na sala e ouvimos sua voz.
Homem: Xerife Tate.
Tate se vira, apavorado e vê Clark vestido
como Joe com a jaqueta marrom, o medalhão e o cabelo liso
no estilo de 1961.
Tate: Sr. Kent. Não sei como entrou aqui,
mas eu não acho isso muito divertido.
Clark: Acho que o senhor me confundiu com outra
pessoa.
Tate: A polícia está a caminho.
Tate se afasta de Clark para caminhar até
a lareira. Quando ele se vira, ouvimos um ruído de ar e
quando Tate se vira, Clark já está na frente dele.
Tate dá um passo atrás com medo, olhando para o
medalhão em torno do pescoço de Clark.
Tate: Onde você conseguiu isso?!
Clark: [Calmo, seguro.] Eu sabia que você
se lembraria de mim.
Tate: Isto não pode ser real.
Clark: Você fez um ótimo trabalho
escondendo o que é real. Eu sei que você fez um acordo
com Lachlan para me matar. [Se aproximando, intimidando.] Mas
como você se sentiu quando descobriu que ao invés
disso você matou Louise?
Tate: Era para ser você!
Tate vai até sua mesa e pega uma arma da
gaveta. Ele atira algumas balas em Clark, mas Clark se livra de
todas, se movendo em alta velocidade. Tate abaixa a arma, horrorizado.
Clark: Você não pode me matar, eu
já estou morto.
Tate: Mãe de Deus!
Clark: Se você quiser algum outro dia de
paz, você vai confessar o que você fez à Xerife.
Tate: Não! Eu não vou para prisão!
Tate aponta a arma para a própria cabeça
e um olhar de pânico passa pelo rosto de Clark. Tate engatilha
a arma e Clark vai até ele em alta velocidade, tirando
a arma da mão dele.
Clark: Você não vai se livrar do
jeito mais fácil.
A porta do escritório abre e Clark sai
de vista em velocidade. Xerife Adams e outro policial entram,
seguram suas armas em punho.
Adams: Prefeito Tate. O senhor está bem?
Nós recebemos o alarme silencioso.
Tate: Ele está tentando me matar!
Adams: Quem?
Adams e o policial olham em volta, mas não
vêem ninguém.
Tate: [Triste, desesperado. ] Era para Lachlan
matar o errante. Eu nunca quis machucar Louise. Eu a amava.
Adams olha para Tate, surpresa.
A tela escurece.
Ato 4 Cena 1
Cena externa da prisão. Dia. No hospital
da prisão, Lana ajuda Dexter ir para uma cadeira de rodas.
Ele está vestido com roupas normais. Uma enfermeira está
atrás da cadeira.
Dexter: Eu nunca esperei ver este dia. [Sorri.]
É tão difícil acreditar sobre Billy. Você
sabia que ele veio me visitar todos os domingos nos primeiros
dois anos que eu estava aqui?
Lana: Sinto muito. Sei que ele era seu amigo.
A enfermeira começa a empurra a cadeira
devagar e Lana caminha ao lado de Dexter.
Dexter: Acho que sempre soube como ele se sentia
em relação a Louise, mas eu nunca imaginei que ele
poderia fazer uma coisa dessas. E confessar depois de todos esses
anos. Não faz nenhum sentido.
Lana: Talvez isto estivesse assombrando ele.
Dexter: É horrível quando o amor
te consome e você fica cego. Eu era tão apaixonado
por Louise que eu não consegui enxergar que ela não
sentia o mesmo por mim. Eu queria ter tomado conhecimento disso
para deixá-la ir.
A enfermeira leva Dexter e Lana fica onde está,
triste pelas palavras de Dexter.
Ato 4 Cena 2
Lex que está sentado fala com Lionel que
está em pé no estúdio de Lex. Noite. Lionel
está olhando uma pilha de papéis.
Lex: A explosão se originou no apartamento
de sua família. Havia traços de nitrato de amônia,
pai. A morte dos seus pais não foi acidente.
Lionel: [Acuado.] Eu sempre suspeitei disso. Eu--oh...
[Senta.] Eu sabia que meu pai tinha inimigos, mas uh...
Lex: Não é o que você disse
à polícia.
Lionel: Eu era jovem, mas não ingênuo.
Eu sabia automaticamente que quem quer que tenha feito aquilo
estaria de olho em mim.
Lex está silencioso, pensativo. Ele se
levanta do seu assento.
Lex: Então você sabia que eles tinham
sido assassinados. Não é do seu feitio deixar passar
a chance de uma vingança.
Lionel: Eu não tinha recursos. Eu não
podia persegui-los.
Lex: Então. E os últimos 30 anos?
Lionel: Eu não podia trazê-los de
volta. Não havia nada que eu pudesse fazer, então...
eu escolhi seguir o meu caminho, esquecer tudo isso.
Lex: Mas você não pode, pode?
Lionel: Não. [Levanta.] Te devo minha gratidão,
filho. Seus avós foram assassinados. Eles merecem justiça.
Oh, eu fui tão tolo. Sempre pensei que o assassinato deles
poderia ficar enterrado no passado.
Lex olha intensamente nos olhos de Lionel e coloca
as mãos em seus ombros.
Lex: Nós dois sabemos que isso não
vai acontecer até que a gente encontre quem fez isso.
Ato 4 Cena 3
Clark está no sótão. Noite.
Lana entra.
Lana: Clark?
Clark: Lana, como está Dexter?
Lana: Acho que está aliviado por ter limpado
o nome da família dele.
Clark: Particularmente, acho que eu estaria mais
aliviado sabendo que eu não seria mais trancafiado.
Lana: Não tenho muito certeza por quê,
mas acho que Dexter tem que agradecer a você pela liberdade
dele.
Clark: Foi você quem acreditou nele.
Lana: É. Ele estava errado sobre o errante.
Clark: Não tenho tanta certeza que ele
estava. Nada teria acontecido a Louise se ela não tivesse
se apaixonado por ele.
Lana: Eu sei que o que Louise fez foi errado,
mas eu não consigo deixar de pensar que ela teve sorte.
Mesmo que tenha sido somente por uns poucos dias, ela soube o
que é realmente estar amando.
Clark: Pena que não pôde durar.
Lana: E se isso não for o caso? [Pausa.]
Talvez você tenha que agradecer pelo tempo que você
passa junto e parar de imaginar o que poderia ter sido.
Lana tem lágrimas nos olhos. Ela pisca
e olha para o longe.
Ato 4 Cena 4
Clark e Jonathan estão nas cavernas. Noite.
Clark está olhando para o símbolo na parede que
combina com o medalhão.
Jonathan: O que é, Clark? O que estamos
fazendo aqui?
Clark segura o medalhão nas mãos.
Clark: Não tenho certeza.
Clark toca o símbolo na parede e tem uma
visão. Joe e Hirum estão na caverna. Joe está
segurando o medalhão.
Hirum: O que você está fazendo com
esta coisa?
Joe: Eu deveria devolver isto para meu pai, mas
existem muitas memórias ruins nele. [Joe aperta a mão
de Hirum.] Obrigada, Hirum.
Hirum: Geralmente eu consigo reconhecer um homem
honesto quando eu vejo um. Lamento se você se meteu em confusão
aqui. Existem muitos caras legais em Smallville.
Joe: Eu me lembrarei disso. Parabéns pelo
bebê. Ele tem sorte de ter vocês como pais.
Hirum: Se tiver alguma coisa que você precise,
você sabe onde me encontrar.
Hirum sai da caverna. Joe olha o medalhão
em sua mão, então se vira para a parede da caverna.
Ele tira do bolso um disco octogonal, idêntico ao da nave
de Clark. Ele o segura em frente à parede da caverna e
focaliza-o. Os pequenos símbolos na chave se acendem e
a pintura do medalhão aparece na parede. A pintura se abre
e Joe coloca o medalhão dentro, fazendo com que fachos
de luz dourada e fumaça saiam dele. Quando ele retira a
mão, o buraco se fecha.
Volta ao presente.
Jonathan: Clark. O que você viu?
Clark vira as costas para Jonathan.
Clark: Ele enterrou isso aqui porque ele não
queria que seu pai o pegasse. Ele funciona como uma espécie
de diário. Acho que Jor-El foi mandado como alguma espécie
de rito de passagem. Vovô Kent esteve aqui também.
Ele disse a Joe que se houvesse qualquer coisa que ele precisasse...
Longa pausa. Jonathan se aproxima de Clark.
Jonathan: O que é, Clark?
Clark: Não acho que você e mamãe
tenham me achado por acidente.
Ele se vira.
Clark: Acho que vocês foram escolhidos.
A tela escurece.